
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltará a Santa Catarina no dia 13 de setembro, para uma agenda em Florianópolis. A confirmação foi divulgada nesta segunda-feira (31) pelo Diretório Estadual do PT, que informou que a data já foi acertada com a coordenação nacional da campanha à reeleição.
Ainda não foram divulgados o local, o horário e o formato do evento. Segundo o partido, essas informações serão anunciadas posteriormente, com pelo menos 72 horas de antecedência.
A visita terá um peso político diferente das anteriores. Será a quarta passagem de Lula por Santa Catarina durante o terceiro mandato e a primeira desde o episódio que provocou forte reação do governo estadual após um discurso realizado em Itajaí, em junho.
Retorno acontece em meio à campanha eleitoral
A viagem ocorrerá cerca de três semanas antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Diferentemente das visitas anteriores, que tiveram caráter institucional, a nova agenda será assumidamente eleitoral.
O PT pretende aproveitar a passagem do presidente para destacar investimentos federais realizados em Santa Catarina e reforçar a presença da legenda no estado.
Entre os argumentos que devem ser apresentados está o desempenho do Novo PAC. Conforme números divulgados pelo governo federal, Santa Catarina teria R$ 18,1 bilhões previstos em investimentos até o fim de 2026, dos quais R$ 16,3 bilhões já haviam sido executados.
O programa reúne centenas de projetos em áreas como infraestrutura, habitação, saúde, educação e saneamento.
Discurso em Itajaí ainda repercute
A última visita de Lula ao estado ocorreu em 26 de junho, quando o presidente participou de uma agenda em um estaleiro no Litoral Norte.
Durante o discurso, Lula falou sobre racismo, desigualdade e a chamada hegemonia branca. Ao abordar o assunto, também fez referência ao nazismo e criticou diretamente o governador Jorginho Mello, que não estava presente no evento.
As declarações provocaram reação imediata do governo catarinense.
Jorginho classificou as falas como discriminatórias e afirmou que uma coisa seria o presidente fazer críticas políticas ao governador, enquanto outra seria atribuir características negativas à população de Santa Catarina.
Governo de SC levou representação à PGR
Após o episódio, a Procuradoria-Geral do Estado apresentou uma representação criminal à Procuradoria-Geral da República.
O documento pediu a apuração das declarações e apontou possível enquadramento na legislação relacionada à discriminação e ao preconceito. O caso também foi levado ao Tribunal Superior Eleitoral pelo PL.
A representação, porém, não significa automaticamente que haverá denúncia ou processo contra o presidente. Eventuais medidas dependem da análise das autoridades competentes.
O episódio também abriu uma disputa política entre aliados de Lula e integrantes do governo estadual.
Enquanto setores da direita catarinense acusaram o presidente de atacar o estado, lideranças do PT afirmaram que as declarações foram retiradas de contexto e negaram que Lula tenha chamado todos os catarinenses de racistas.
PT aposta em obras para tentar ampliar espaço em SC
Para a direção estadual do PT, a próxima visita deverá ser utilizada para apresentar investimentos federais e aproximar o presidente de eleitores catarinenses.
Entre os empreendimentos destacados pelo governo federal está o Contorno Viário da Grande Florianópolis, entregue em agosto de 2024 e considerado pelo Planalto uma das principais obras de infraestrutura rodoviária realizadas no país.
Também aparecem na lista investimentos do Minha Casa, Minha Vida e projetos relacionados a saúde, educação, saneamento e mobilidade.
O presidente estadual do PT, Fabiano da Luz, afirmou que o partido pretende disputar espaço político mesmo diante da resistência histórica de Santa Catarina ao presidente.
Lula encontrará cenário eleitoral difícil
A volta do presidente acontece em um cenário de forte vantagem de seu principal adversário no estado.
Pesquisa Quaest divulgada em agosto apontou Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto em Santa Catarina, enquanto Lula apareceu com 20%.
O levantamento ouviu 804 eleitores entre os dias 20 e 23 de agosto e possui margem de erro de três pontos percentuais.
Com a eleição se aproximando, a presença de Lula no estado deverá servir não apenas para reforçar a campanha presidencial, mas também para fortalecer as candidaturas do campo da esquerda em Santa Catarina.
A atividade de 13 de setembro, portanto, terá um significado político especial: será o primeiro retorno de Lula ao estado desde a crise provocada pelo discurso de Itajaí e ocorrerá justamente na reta final da disputa eleitoral.
O PT ainda deverá anunciar oficialmente o local, o horário e a programação completa da visita.





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