
Tijucas, na Grande Florianópolis, está prestes a receber um dos investimentos mais relevantes da área farmacêutica em Santa Catarina. A AG Santé Pharma prepara a implantação de uma estrutura voltada ao desenvolvimento, controle e, futuramente, à produção de medicamentos de alta complexidade.
O projeto poderá movimentar mais de R$ 100 milhões ao longo de sua implantação. Na fase inicial, estão previstos cerca de R$ 50 milhões, destinados à instalação da estrutura em uma área que já foi adquirida pela empresa no município.
Unidade terá foco em medicamentos de alta complexidade
A primeira fase do empreendimento será voltada à implantação da estrutura técnica, operacional e regulatória necessária para o funcionamento da empresa.
Entre as atividades previstas está o controle de qualidade de medicamentos desenvolvidos e produzidos por parceiros internacionais. A companhia também pretende avançar nos processos necessários para registrar seus produtos e disponibilizá-los no mercado brasileiro.
A previsão inicial é trabalhar com o registro de pelo menos 10 medicamentos, incluindo terapias administradas por via oral, como comprimidos e cápsulas.
Tratamentos contra o câncer estão entre os medicamentos previstos
Parte do portfólio planejado envolve medicamentos utilizados no tratamento de diferentes tipos de câncer e outras doenças de maior complexidade.
Entre os princípios ativos previstos estão enzalutamida e abiraterona, utilizadas em tratamentos relacionados ao câncer de próstata; lenalidomida, empregada em terapias como as do mieloma múltiplo; axitinib, utilizado em determinados casos de câncer renal; imatinib, usado em tratamentos como o da leucemia mieloide crônica; e capecitabina, indicada para diferentes tipos de câncer.
A empresa destaca que cada medicamento precisará cumprir individualmente as exigências regulatórias da Anvisa, incluindo os procedimentos técnicos necessários para comprovar qualidade, segurança e eficácia.
Produção de medicamentos em Tijucas está prevista para os próximos anos
A instalação da operação será feita de maneira gradual. O planejamento da empresa prevê que, inicialmente, Tijucas concentre atividades de controle de qualidade e suporte aos medicamentos importados.
Em uma etapa posterior, a unidade deverá incorporar processos de produção farmacêutica no próprio estado. A expectativa apresentada pela empresa é que essa fase possa ser alcançada em aproximadamente três a quatro anos, dependendo do andamento dos licenciamentos, registros e demais procedimentos técnicos.
A intenção é transformar a estrutura em uma plataforma de desenvolvimento e fabricação de medicamentos de maior complexidade, aumentando progressivamente a participação da produção realizada no Brasil.
Investimento pode gerar empregos especializados
Além do volume financeiro, o empreendimento poderá ampliar a demanda por profissionais qualificados em áreas como Farmácia, Química, Engenharia, laboratórios, tecnologia e logística.
A instalação também ocorre em um momento de expansão da indústria farmacêutica e de iniciativas para aumentar a produção nacional de medicamentos e reduzir a dependência de produtos fabricados no exterior.
Tijucas busca diversificar a economia
O novo empreendimento também representa a chegada de um segmento de maior intensidade tecnológica à economia de Tijucas, município que vem registrando crescimento populacional e urbano nos últimos anos.
Dados do IBGE apontam que Tijucas tinha 51,6 mil habitantes no Censo de 2022, enquanto a estimativa populacional de 2025 ultrapassou os 58 mil moradores.
Para a administração municipal, a instalação de uma empresa do setor farmacêutico pode contribuir para ampliar as oportunidades de trabalho qualificado na cidade e reduzir a necessidade de profissionais especializados buscarem emprego em outros centros.
O projeto ainda passará por diferentes etapas até alcançar a produção industrial. O avanço dependerá das autorizações, licenças e registros exigidos para cada medicamento e para a operação fabril.





Comentários desta notícia