
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou nesta quarta-feira (21) que aceita o desafio lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para abrir seus sigilos bancário e telefônico. No entanto, o parlamentar condicionou a divulgação dos próprios dados à apresentação de informações sobre pessoas próximas ao presidente e despesas do governo federal.
A declaração foi feita durante um compromisso de campanha em Guarulhos, na Grande São Paulo. Flávio afirmou que autoriza a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico referentes aos últimos 20 anos, incluindo informações de empresas das quais participa como sócio ou administrador. O senador também declarou não se opor à divulgação de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Flávio apresenta exigências ao TSE
As condições foram formalizadas em uma petição encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre os pedidos apresentados pela campanha do PL estão a quebra de sigilos bancário e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, do Instituto Lula e de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente, conhecido como Marcola.
O documento também solicita informações sobre os gastos realizados com cartões corporativos da Presidência da República, despesas relacionadas à primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e registros de visitas aos palácios do Planalto e da Alvorada.
Durante o pronunciamento, Flávio argumentou que a divulgação dos dados do presidente deveria abranger também pessoas que, segundo ele, participavam de suas comunicações e atividades políticas.
Relações com o Banco Master entram na discussão
Outro ponto central da petição envolve Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O senador pede a divulgação dos registros de entrada do banqueiro e de pessoas ligadas a ele nos palácios presidenciais desde 2023.
A campanha também solicita informações sobre a reunião entre Lula e Vorcaro, realizada em 4 de dezembro de 2024, incluindo os participantes e os assuntos discutidos. Segundo informações mencionadas no documento, não foi produzida ata do encontro.
Os pedidos incluem ainda registros de reuniões envolvendo o ex-ministro Guido Mantega e outros nomes relacionados ao banco, além de informações sobre voos realizados no jatinho de Vorcaro em novembro de 2025.
A petição busca também esclarecer possíveis encontros e contatos entre integrantes do governo federal e pessoas próximas ao banqueiro. Os requerimentos apresentados pela campanha não significam, por si só, a comprovação de irregularidades.
Campanha pede informações sobre Janja e familiares de Lula
A lista de solicitações inclui a agenda de Janja, registros de visitas de familiares do presidente ao Palácio da Alvorada e informações sobre a lobista Roberta Luchsinger, apontada no documento como amiga de Lulinha.
A campanha quer saber se Roberta participou de reuniões em órgãos federais, quando esteve nos palácios presidenciais e se realizou viagens em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).
O documento também questiona a movimentação de valores envolvendo Marcola e Roberta. No caso de R$ 249 mil mencionados na petição, o ex-chefe de gabinete sustenta que o dinheiro correspondeu a um empréstimo pessoal já quitado.
Flávio argumenta que a abertura dos sigilos precisa abranger pessoas que, segundo sua campanha, poderiam contribuir para esclarecer as relações financeiras e os contatos do presidente.
Lula também propôs abertura de sigilos
O embate começou durante o debate presidencial da TV Bandeirantes, realizado no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a autorizar a divulgação de informações financeiras e telefônicas.
Na terça-feira (20), o presidente apresentou ao TSE um documento autorizando a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, além dos dados de familiares, incluindo Janja e Lulinha, desde que o adversário também concordasse em divulgar informações equivalentes.
A proposta de Lula abrange os últimos oito anos, enquanto Flávio declarou aceitar a abertura de seus próprios dados referentes a duas décadas, mas estabeleceu condições adicionais.
Com o segundo turno marcado para domingo (25), a discussão sobre transparência, gastos públicos e relações políticas passou a integrar o confronto entre os candidatos. Os pedidos apresentados ao TSE ainda dependem da análise da Justiça Eleitoral, e a divulgação das informações solicitadas não deve ser confundida com a comprovação de eventuais irregularidades.
O próximo debate entre os candidatos está previsto para sexta-feira (23), na TV Globo.





Comentários desta notícia