
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou nesta sexta-feira (5) que o ex-presidente Jair Bolsonaro confirmou sua escolha como representante do grupo político na disputa pela Presidência da República em 2026. A revelação foi feita por meio de uma publicação na rede X, na qual o parlamentar afirmou receber a missão com “grande responsabilidade”.
Segundo Flávio, a orientação partiu diretamente de Bolsonaro, preso preventivamente desde 25 de novembro na sede da Polícia Federal em Brasília, condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. O senador destacou que pretende dar continuidade ao “projeto de nação” defendido pelo pai.
PARTIDO FOI INFORMADO ANTES DO ANÚNCIO PÚBLICO
Antes de tornar a decisão pública, Flávio comunicou a cúpula do Partido Liberal e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Lideranças do PL confirmaram que estavam cientes da articulação e que o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, recebeu a notícia diretamente do senador.
Valdemar declarou apoio imediato: “Bolsonaro falou, está falado. Estamos juntos.”
Mesmo assim, dirigentes admitem que a sinalização pode funcionar como um teste, avaliando a aceitação do nome de Flávio antes de uma definição definitiva.
INSATISFAÇÃO E DESCONFIANÇA NO ENTORNO DE MICHELLE BOLSONARO
Aliados próximos da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro receberam a notícia com resistência. Pessoas do seu círculo afirmam que Bolsonaro não tomaria uma decisão dessa magnitude sem consultá-la — o que aumentou as desconfianças sobre a versão divulgada pelo senador.
A tensão surge logo após um racha público entre Michelle e os filhos Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro. A crise foi desencadeada por críticas da ex-primeira-dama à articulação do PL no Ceará, que cogitou apoiar Ciro Gomes em disputa regional. Os filhos saíram em defesa do deputado André Fernandes, responsável pela manobra, e Flávio chegou a chamar Michelle de “arrogante e autoritária”.
Após visitar o pai, Flávio afirmou ter pedido desculpas à madrasta. O PL, por sua vez, realizou uma reunião de emergência e suspendeu o acordo no Ceará, interpretado internamente como vitória parcial de Michelle.
FUNÇÃO DE PORTA-VOZ E A DISPUTA POR PROTAGONISMO NO BOLSONARISMO
Desde a prisão do ex-presidente, Flávio tornou-se o principal porta-voz da família, com acesso direto a Bolsonaro e autonomia para levar e trazer informações da Superintendência da PF. O papel ganhou força com a ausência de Eduardo Bolsonaro, atualmente nos Estados Unidos, e com Carlos, que permanece mais isolado no Rio.
Eduardo, porém, relativizou a posição do irmão e afirmou que não há “porta-voz oficial” do pai. Para ele, todos os membros próximos da família têm legitimidade para representar Bolsonaro durante o período de encarceramento.
SENADOR DIZ QUE PAÍS VIVE “DIAS DIFÍCEIS” E PROMETE REAÇÃO
Em sua postagem, Flávio afirmou que o Brasil atravessa um momento de “instabilidade e desânimo” e que não assistirá “de braços cruzados” ao que considera um risco à democracia. Ele encerrou dizendo que se coloca “diante de Deus e do Brasil para cumprir essa missão”.
Apesar do anúncio, integrantes do PL evitam cravar que a candidatura está definida. Nos bastidores, a percepção é de que a decisão real ainda depende de fatores internos, jurídicos e políticos — e também da própria família Bolsonaro.






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