
A morte violenta do cão comunitário conhecido como Orelha, registrada na Praia Brava, em Florianópolis, provocou forte comoção e reacendeu discussões sobre a responsabilização de adolescentes envolvidos em crimes graves. Diante da repercussão, o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), voltou a defender publicamente a redução da maioridade penal.
Em vídeo divulgado nesta segunda-feira (26), o governador questionou o nível de consciência de jovens entre 15 e 17 anos ao cometerem atos de violência. Para ele, a gravidade do caso evidencia falhas no atual sistema de responsabilização. “Precisamos refletir sobre que tipo de futuro estamos construindo quando crimes como esse ficam sem punição adequada”, afirmou.
INVESTIGAÇÃO APONTA INDÍCIOS DE PARTICIPAÇÃO DE ADULTOS
A declaração ocorreu após uma operação da Polícia Civil, que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos familiares dos adolescentes investigados. Durante a ação, foram recolhidos celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos que podem contribuir para o esclarecimento do crime.
De acordo com informações da investigação, há suspeitas de que o ataque tenha sido premeditado, além de possíveis tentativas de intimidação de testemunhas. Também são apurados indícios de envolvimento de adultos, incluindo supostos casos de coação e porte ilegal de arma.
O governador ressaltou que o caso será apurado com rigor. “Não vamos permitir que ninguém se esconda atrás de sobrenomes ou influência. Todos serão responsabilizados”, declarou.
JUSTIÇA NEGA QUEBRA DE SIGILO, MAS POLÍCIA SEGUE APURAÇÃO
Apesar do avanço das investigações, a Justiça negou o pedido de quebra de sigilo dos celulares dos suspeitos. A decisão, tomada pela Vara da Infância e Juventude da Capital, entendeu que, naquele momento, não havia elementos suficientes que justificassem o acesso direto aos dados.
Mesmo com a negativa, a Polícia Civil utilizou outros dispositivos legais para dar continuidade à apuração. Com base no Código de Processo Penal, os agentes realizaram as buscas e recolheram materiais considerados relevantes para o inquérito.
O delegado-geral Ulisses Gabriel reforçou o compromisso das autoridades com a elucidação do caso. Segundo ele, a investigação segue fundamentada em provas técnicas e procedimentos legais.
COMOÇÃO POPULAR E PRESSÃO POR MUDANÇAS NA LEI
A morte de Orelha mobilizou moradores, protetores de animais e internautas, que passaram a cobrar punições mais severas e políticas públicas voltadas à prevenção da violência.
Para o governo estadual, o episódio deve servir como ponto de partida para ampliar o debate sobre legislação, educação e responsabilidade social. “Orelha não será esquecido. Que essa tragédia gere reflexão e mudança”, finalizou o governador.






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