
O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) solicitou à Justiça a exumação do corpo do cão Orelha, encontrado morto na Praia Brava, em Florianópolis, para realização de perícia direta. A medida faz parte de um conjunto de diligências complementares que visam esclarecer as circunstâncias do caso, que envolve adolescentes. O pedido segue em segredo de justiça.
EXUMAÇÃO E DILIGÊNCIAS COMPLEMENTARES
Segundo o MP, a decisão ocorreu após análise detalhada do inquérito policial e de quatro Boletins de Ocorrência Circunstanciados. Entre as solicitações, estão a juntada de vídeos e registros que possam esclarecer atos infracionais envolvendo os animais.
A 10ª Promotoria de Justiça, da área da Infância e Juventude, e a 2ª Promotoria, da área criminal, apontaram a necessidade de novos depoimentos e complementação das investigações para identificar se houve coação ou irregularidades durante o processo.
O prazo estipulado para cumprimento das diligências é de 20 dias a partir do recebimento dos autos.
ADOLESCENTE APONTADO COMO RESPONSÁVEL PELO CRIME
O cão Orelha foi encontrado agonizando no dia 5 de janeiro por moradores da Praia Brava e não resistiu aos ferimentos graves. A Polícia Civil de SC pediu a internação de um adolescente suspeito de agressão, enquanto outros quatro adolescentes foram relacionados ao caso do cão Caramelo, que também sofreu maus-tratos.
De acordo com a investigação, o adolescente saiu do condomínio na madrugada de 4 de janeiro e retornou em horários que apresentaram contradições em seu depoimento. A Polícia Civil identificou vestígios do crime por meio de roupas e filmagens de câmeras de segurança.
O adolescente chegou a viajar para fora do país após a identificação dos suspeitos e foi interceptado ao retornar. A polícia apreendeu o moletom usado na madrugada do crime, apesar de a defesa afirmar que havia confusão sobre as peças de roupa.
PONTOS CONTROVERSOS NA INVESTIGAÇÃO
Entre os questionamentos estão a hora exata da morte de Orelha e a ausência de imagens do momento da agressão. Vídeos divulgados pela defesa mostram o animal caminhando aparentemente ileso horas após o ataque. A delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal, destacou que as imagens não confirmam o momento da agressão, mas indicam movimentações que ajudam a compor o quebra-cabeça investigativo.
Outro ponto crucial é o moletom usado pelo adolescente na madrugada, que se tornou peça importante na investigação. A defesa alega que a família do jovem tentou apenas proteger o adolescente da repercussão do caso e que não houve tentativa de esconder provas.
CINCO INVESTIGAÇÕES PARALELAS EM ANDAMENTO
Além do caso Orelha, há investigações paralelas envolvendo:
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AGRESSÕES AO CÃO CARAMELO – Quatro adolescentes estão relacionados a ataques contra o animal, que conseguiu escapar.
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DEPREDAÇÃO E FURTO EM QUIOSQUE – Adolescente e amigos foram flagrados destruindo uma barraca na praia.
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AMEAÇA E INJÚRIA AO PORTEIRO – Familiares de adolescentes investigados podem ter intimidado testemunhas.
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COAÇÃO À TESTEMUNHA – Três pessoas foram indiciadas por tentativa de influenciar depoimentos.
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ANÁLISE DE DADOS DE CELULARES – A Polícia Civil aguarda a extração e análise de celulares apreendidos para complementar provas.
DEFESA DO ADOLESCENTE SE PRONUNCIA
Em nota, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte afirmam que “informações divulgadas são circunstanciais, não constituem provas e não autorizam conclusões definitivas”. Eles reforçam que a defesa atua tecnicamente em busca da verdade real e denuncia a politização do caso, que poderia prejudicar pessoas inocentes.






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