
A decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar sanções ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), gerou forte reação no Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Diplomatas classificaram o episódio como a maior crise entre Brasil e EUA em dois séculos de relações diplomáticas. A medida foi tomada com base na Lei Magnitsky, voltada a punir autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos e corrupção.
Moraes tornou-se o primeiro brasileiro a ser alvo da legislação norte-americana, em um movimento que coincidiu com a imposição de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os EUA, com vigência prevista para 6 de agosto.
Itamaraty interrompe negociações e vê agressão diplomática
A decisão pegou o governo brasileiro de surpresa e, segundo fontes ouvidas pelo g1, mudou o tom do Itamaraty, que até então buscava soluções diplomáticas para as tarifas comerciais. “Não há disposição para negociação que resista a esse tipo de agressividade”, disse um interlocutor da diplomacia brasileira.
A crise se intensificou após a revogação dos vistos de Moraes e outros ministros do STF no início de julho, que já havia causado desconforto. Agora, com a sanção oficial, Moraes tem os bens bloqueados nos EUA, está proibido de fazer negócios com cidadãos e empresas americanas e não pode utilizar cartões de crédito com bandeira dos EUA.
Eduardo Bolsonaro comemora decisão e agradece a Trump
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos, comemorou publicamente a sanção a Moraes e agradeceu ao ex-presidente Donald Trump, que oficializou a medida. Eduardo é apontado pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República como parte de uma suposta tentativa de pressionar ministros do STF para beneficiar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em processos judiciais.
A escalada da crise coloca em xeque o relacionamento bilateral entre os dois países e abre um novo capítulo de tensão, com impactos diplomáticos, comerciais e institucionais ainda imprevisíveis.






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