
A investigação sobre a morte do cão comunitário conhecido como Orelha ganhou um novo capítulo após a divulgação do laudo elaborado pela Polícia Científica. O exame, realizado depois da exumação do animal, não identificou fraturas ou marcas ósseas que comprovem agressão direta, mas também não conseguiu determinar com precisão a causa da morte.
Segundo os peritos, todos os ossos foram analisados detalhadamente e não apresentaram sinais de ruptura ou lesões típicas de violência física. Ainda assim, o documento ressalta que esse resultado, por si só, não elimina a possibilidade de um impacto contundente.
AUSÊNCIA DE FRATURAS NÃO ELIMINA HIPÓTESE DE AGRESSÃO
O laudo enfatiza que, conforme literatura veterinária especializada, muitos traumas cranianos graves em animais não deixam fraturas visíveis, mesmo quando são suficientes para causar a morte.
Dessa forma, os técnicos consideram plausível que o cão tenha sofrido um golpe na cabeça e apresentado piora clínica gradual nas horas seguintes.
Essa observação mantém em aberto a linha investigativa já apontada anteriormente pela Polícia Civil de Santa Catarina, que trabalha com a hipótese de impacto causado por chute ou objeto rígido.
CONDIÇÕES DO CORPO DIFICULTARAM CONCLUSÕES
A exumação ocorreu em 11 de fevereiro, mais de um mês após o sepultamento. Quando os especialistas tiveram acesso ao corpo, ele já estava em estágio avançado de decomposição, com esqueletização significativa.
Esse cenário inviabilizou a análise de tecidos moles — como cérebro e órgãos internos — fundamentais para identificar hemorragias, inflamações ou outras alterações capazes de esclarecer o que ocorreu.
Os peritos também descartaram uma das suspeitas que circularam durante o caso: a de que um prego teria sido cravado na cabeça do animal, já que esse tipo de ação deixaria marcas ósseas características inexistentes nos exames.
EXUMAÇÃO FOI SOLICITADA PARA APROFUNDAR INVESTIGAÇÃO
A reabertura da análise pericial atendeu a um pedido do Ministério Público de Santa Catarina, que requisitou novas diligências para esclarecer completamente o episódio.
Antes disso, a investigação policial já havia concluído o inquérito apontando a participação de um adolescente no caso. Ao longo das apurações, oito jovens chegaram a ser investigados.
RELEMBRE O CASO
Orelha foi encontrado agonizando em 5 de janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis. Moradores prestaram socorro e o levaram para atendimento veterinário emergencial, mas o animal não resistiu aos ferimentos.
Relatos iniciais indicavam lesões severas na região da cabeça e em um dos olhos, além de sinais de desidratação intensa.
CASO SEGUE CERCADO DE INCERTEZAS
Mesmo após a nova perícia, o laudo é conclusivo apenas em um ponto: não há elementos materiais suficientes para definir a causa da morte.
Ao mesmo tempo, também não é possível excluir totalmente a ocorrência de violência.
A investigação permanece marcada por lacunas técnicas, mostrando como o tempo decorrido entre a morte e a exumação pode comprometer respostas definitivas — e manter o caso aberto a diferentes interpretações.






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